sábado, fevereiro 15, 2003

me dizia: "você coloca como primeira opção, agora está aqui sozinha e chateada."

(no caro sono do lar cristão)

cometido pela arale -

 

sexta-feira, fevereiro 14, 2003

Olho para a chuva que não quer cessar
Nela vejo o meu amor
Esta chuva ingrata que não vai parar
Pra aliviar a minha dor
Eu sei que o meu amor pra muito longe foi
Com a chuva que caiu
Oh gente por favor pra ela vá contar
Que o meu coração se partiu
Chuva traga o meu benzinho
Pois preciso de carinho
Diga a ela pra não me deixar triste assim
O ritmo dos pingos ao cair no chão
Só me deixa relembrar
Tomara que eu não fique a esperar em vão
Por ela que me faz chorar
Chuva traga o meu benzinho . . . .


cometido pela arale -

CANÇÃO DE AMOR DA JOVEM LOUCA
Sylvia Plath

Cerro os olhos e cai morto o mundo inteiro
Ergo as pálpebras e tudo volta a renascer
(Acho que te criei no interior da minha mente)

Saem valsando as estrelas, vermelhas e azuis,
Entra a galope a arbitrária escuridão:
Cerro os olhos e cai morto o mundo inteiro.

Enfeitiçaste-me, em sonhos, para a cama,
Cantaste-me para a loucura; beijaste-me para a insanidade.
(Acho que te criei no interior de minha mente)

Tomba Deus das alturas; abranda-se o fogo do inferno:
Retiram-se os serafins e os homens de Satã:
Cerro os olhos e cai morto o mundo inteiro.

Imaginei que voltarias como prometeste
Envelheço, porém, e esqueço-me do teu nome.
(Acho que te criei no interior de minha mente)

Deveria, em teu lugar, ter amado um falcão
Pelo menos, com a primavera, retornam com estrondo
Cerro os olhos e cai morto o mundo inteiro:
(Acho que te criei no interior de minha mente.)

******

te amo, rê. brigada.

cometido pela ladybug -

morro de inveja de quem nunca teve que queimar as pestanas pra comer, pagar aluguel, conta atrasada, procurar emprego, depender de gente medíocre pra trabalhar. pena que dinheiro não compre bom gosto, cultura e atitude, não? aliás, pena nada, bem feito.

cometido pela arale -

ah, eu e meu umbigo...



o tirou uma série de fotos ótimas hoje, depois publicamos mais

cometido pela Zel -

"cada um com seus problemas"

ditados são ótimos, pena que a gente leve tanto tempo pra absorvê-los. as pessoas normais aprendem com os erros. eu não.

cometido pela arale -

a vida na merda ensina algumas coisas. no meu caso, a ser boa de briga. e estou com preconceito de classe descontrol.


cometido pela arale -

e os meninos-super-prediletos montaram um blog pra divulgar sites legais. boa sooorte!

cometido pela arale -

série testes-cretinos



cometido pela arale -

bom dia, sexta feira.

PARA UMA MENINA COM UMA FLOR
Vinicius de Moraes

Porque você é uma menina com uma flor e tem uma voz que não sai, eu lhe prometo amor eterno, salvo se você bater pino, o que, aliás, você não vai nunca porque você acorda tarde, tem um ar recuado e gosta de brigadeiro: quero dizer, o doce feito com leite condensado.

E porque você é uma menina com uma flor e chorou na estação de Roma porque nossas malas seguiram sozinhas para Paris e você ficou morrendo de pena delas partindo assim no meio de todas aquelas malas estrangeiras. E porque você sonha que eu estou passando você para trás, transfere sua d.d.c. para o meu cotidiano, e implica comigo o dia inteiro como se eu tivesse culpa de você ser assim tão subliminar. E porque quando você começou a gostar de mim procurava saber por todos os modos com que camisa esporte eu ia sair para fazer mimetismo de amor, se vestindo parecido. E porque você tem um rosto que está sempre um nicho, mesmo quando põe o cabelo para cima, parecendo uma santa moderna, e anda lento, e fala em 33 rotações mas sem ficar chata. E porque você é uma menina com uma flor, eu lhe predigo muitos anos de felicidade, pelo menos até eu ficar velho: mas só quando eu der uma paradinha marota para olhar para trás, aí você pode se mandar, eu compreendo.

E porque você é uma menina com uma flor e tem um andar de pajem medieval; e porque você quando canta nem um mosquito ouve a sua voz, e você desafina lindo e logo conserta, e às vezes acorda no meio da noite e fica cantando feito uma maluca. E porque você tem um ursinho chamado Nounouse e fala mal de mim para ele, e ele escuta e não concorda porque ele é muito meu chapa, e quando você se sente perdida e sozinha no mundo você se deita agarrada com ele e chora feito uma boba fazendo um bico deste tamanho. E porque você é uma menina que não pisca nunca e seus olhos foram feitos na primeira noite da Criação, e você é capaz de ficar me olhando horas.

E porque você é uma menina que tem medo de ver a Cara-na-Vidraça, e quando eu olho você muito tempo você vai ficando nervosa até eu dizer que estou brincando. E porque você é uma menina com uma flor e cativou meu coração e adora purê de batata, eu lhe peço que me sagre seu Constante e Fiel Cavalheiro.

E sendo você uma menina com uma flor, eu lhe peço também que nunca mais me deixe sozinho, como nesse último mês em Paris; fica tudo uma rua silenciosa e escura que não vai dar em lugar nenhum; os móveis ficam parados me olhando com pena; é um vazio tão grande que as mulheres nem ousam me amar porque dariam tudo para ter um poeta penando assim por elas, a mão no queixo, a perna cruzada triste e aquele olhar que não vê. E porque você é a única menina com uma flor que eu conheço, eu escrevi uma canção tão bonita para você, "Minha namorada", a fim de que, quando eu morrer, você, se por acaso não morrer também, fique deitadinha abraçada com Nounouse cantando sem voz aquele pedaço que eu digo que você tem de ser a estrela derradeira, minha amiga e companheira, no infinito de nós dois.

E já que você é uma menina com uma flor e eu estou vendo você subir agora - tão purinha entre as marias-sem-vergonha - a ladeira que traz ao nosso chalé, aqui nessas montanhas recortadas pela mão de Guignard; e o meu coração, como quando você me disse que me amava, põe-se a bater cada vez mais depressa.

E porque eu me levanto para recolher você no meu abraço, e o mato à nossa volta se faz murmuroso e se enche de vaga-lumes enquanto a noite desce com seus segredos, suas mortes, seus espantos - eu sei, ah, eu sei que o meu amor por você é feito de todos os amores que eu já tive, e você é a filha dileta de todas as mulheres que eu amei; e que todas as mulheres que eu amei, como tristes estátuas ao longo da aléia de um jardim noturno, foram passando você de mão em mão até mim, cuspindo no seu rosto e enfrentando a sua fronte de grinaldas; foram passando você até mim entre cantos, súplicas e vociferações - porque você é linda, porque você é meiga e sobretudo porque você é uma menina com uma flor.

cometido pela ladybug -

 

quinta-feira, fevereiro 13, 2003

Quiero escribir sobre ti
luis alberto nuñez

Tengo ganas de escribir sobre ti, sobre tu piel y tu boca, de decir que es hermosa, que es terza y erotica, que es sal y que envenena a cada beso. Tengo ganas de escribir, sobre tus ojos, que solo saben soñar. Tengo ganas de decir que me encantan, que son negros y redondos y que ven hacia el cielo y también a las hormigas.

Tengo ganas de escribir... sobre tus manos, tengo ganas de decir que son inteligentes y que escriben muy bonito. Que hacen remolinos en el aire y deletrean tu nombre en el cielo, tengo ganas de escribir sobre tu voz, que es de papel, y que hace saborear un poema que endulza mis oídos y que me hacen soñar.

Quiero decirle a tu boca, que dibuje caminos en mi piel con la ceda de tu lengua, que los marque con la sal de tu saliva, y me desgarre a cada beso.

Quiero decirle a tus ojos que me desnuden a pestañasos, que sueñen conmigo y que me vean a mi.

Quiero decirle a tus manos que hoy, escriban sobre mi, en mi piel; que hagan remolinos con mi poco pelo, y escriban tu nombre en mi boca.

Quiero decirle a tu voz, que se calle en mi garganta, que cante de mi, que la quiero saborear en mi boca, y que en dulce mis entrañas con palabras que solo tu puedes decir.

(pra você, que me faz feliz)


cometido pela arale -

clarice forever

...escrevo-te toda inteira...

...é que agora sinto necessidade de palavras - e é novo para mim o que escrevo porque minha verdadeira palavra foi até agora intocada. a palavra é a minha quarta dimensão...

...sei que são primárias as minhas frases, escrevo com amor demais por elas e esse amor supre as faltas...

...quero escrever-te como quem aprende. fotografo cada instante. aprofundo as palavras como se pintasse, mais do que um objeto, a sua sombra...

...e cada coisa que me ocorra, eu anoto, para fixá-la. pois quero sentir nas mãos o nervo fremente e vivaz do já, e que me reaja como buliçosa veia. e que se rebele, esse nervo de vida, e que se contorça e lateje. e que se derramem safiras, ametistas e esmeraldas no obscuro erotismo da vida plena: porque na minha escuridão enfim treme o grande topázio, palavra que tem luz própria...

(água-viva)

cometido pela Zel -

david bowie


cometido pela arale -

u sexy motherfucker

cometido pela arale -


cometido pela arale -

imaginação de tardes quentes

você me olha de soslaio, eu não sei desviar olhares. não conheço meias-medidas, minha casa não tem portas, tem cortinas, como um harém. você não diz nada mas me observa faminto, seus olhos e seu corpo falam comigo. sinto na pele seu desejo, arrepio e amoleço; como fruta no sol, fico cheirosa e tenra, peço pra ser mordida. você sorri de leve, de leve me afaga como quem diz "espera. vai ser como eu quiser" e eu espero, ah, eu espero. você me toca e eu transbordo, quero só fechar os olhos e deixar coisas acontecerem dentro de mim, fico sensível a cada toque leve e sutil dos seus dedos, sua boca que se abre só de leve e promete um beijo e sua língua macia. fecho os olhos e adivinho onde você vai me tocar, se sua boca vai se aproximar do meu pescoço (será que você vai me afagar ou me prender?) ou se meus seios vão se encostar mais no seu peito? meu sexo parece o centro de mim, pulsa-pulsa. quando você olha nos meus olhos e diz em silêncio "quieta", eu já sei. me deixo estar, ficar, e você procura tranquilo um caminho até meus lábios mais escondidos, melados de tanto esperar. tremo e não sei se olho ou se me dedico ao escuro dos meus olhos fechados, que vêem cores e imagens de corredores, de quadros numa galeria, de tetos espelhados e mosaicos enquanto você respira meu cheiro e subitamente mistura sua umidade com a minha, sinto escorregar sua língua e não sei se sou eu ou se é ela que deslizam, que brincam, não sei se me movo ou se suspiro e grito, sei que é um caleidoscópio sensorial, montanha-russa. me confundo e não sei se quero mais ou menos, se gozo ou se desfruto mais, paro e continuo, me concentro e me distraio na sensação, rio e quero chorar, brinco de balanço. sinto suas mãos, seu suor me fazendo escorregar, mais fluida que água, salgada e doce, sou enguia, peixe, menina com medo, tenho medo de tanta entrega, de ser sua pra sempre, se ser sua naquele instante e me perder de mim. seus dedos brincam comigo como se eu fosse marionete, e eu estico fios, resisto, deixo, relaxo, fico tensa, sei-não-sei, quero mais e menos e quero sua boca, seu pau, seus braços, seus cabelos e olhos e sua voz no meu ouvido, um ponto cego, uma estrela, um carro, gotas, sons e pêlos e fogos de artifício e... torrentes. de prazer, de gozo, de grito, torneira aberta, cachoeira, canal de suez, mediterrâneo, rio, goteira, ping, ping, ping. pong.

cometido pela Zel -

 

quarta-feira, fevereiro 12, 2003

Um dia ele chegou tão diferente do seu jeito de sempre chegar
Olhou-a dum jeito muito mais quente do que sempre costumava olhar
E não maldisse a vida tanto quanto era seu jeito de sempre falar
E nem deixou-a só num canto, pra seu grande espanto convidou-a pra rodar

Então ela se fez bonita como há muito tempo não queria ousar
Com seu vestido decotado cheirando a guardado de tanto esperar
Depois os dois deram-se os braços como há muito tempo não se usava dar
E cheios de ternura e graça foram para a praça e começaram a se abraçar

E ali dançaram tanta dança que a vizinhança toda despertou
E foi tanta felicidade que toda a cidade enfim se iluminou
E foram tantos beijos loucos
Tantos gritos roucos como não se ouvia mais
Que o mundo compreendeu
E o dia amanheceu
Em paz


Valsinha
Vinicius de Moraes - Chico Buarque/1970

cometido pela ladybug -

cio

me vê, pede, provoca, deseja, mete (por favor!) e me manda ficar quieta. me segura, enfia os dedos na minha boca, lambuza meu rosto, puxa meus cabelos, me morde e me fode, muito, forte, pára e espera, faz o que quiser, não me ouça, não, sim, não-não-não, mais e (ah) mais, sim, mais, assim, por favor, por favor. deixa eu me esfregar e me mexer, mas sorri pra mim e pergunta "o que foi, menina?" com esse ar doce e safado, enquanto se diverte me vendo desfalecer, sorrir boba e entregue como uma flor recém-colhida.

escrito pro fer, na tarde de hoje. beijo, baby :)

cometido pela Zel -

eu daria MUITO pra estar na minha banheira agora. com água morna-fria, o becks gorducho e a kaiser de canudo. pra complicar um dia que já começou quente, almocei feiju com caipirinha e agora não sei o que é pior, a leseira ou a libido que insistem em cutucar. mas tudo bem, nada como uma noite após um dia...

cometido pela arale -

porque pop que é pop, faz TUDO pra aparecer.

This is my new blogchalk:
Brazil, sao paulo, sao paulo, bela vista, Portuguese, renata, Female, 26-30.

cometido pela arale -

boa tarde, crianças.

cometido pela ladybug -


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s-e-n-s-a-c-i-o-n-a-l


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arf arf...

(bom dia, dia!)

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terça-feira, fevereiro 11, 2003

pílulas vermelhas

não sei de quem ouvi essa idéia, mas achei linda: o pior grilhão é aquele feito de flores, pois não temos coragem de rompê-lo.

quantas vezes você quis se livrar de uma prisão de lindas flores e não teve coragem de esmagá-las para se libertar? quantas vezes não teve coragem de matar ou destruir para poder viver? quantas vezes se apegou a falsas ilusões, a fantasias?

às vezes acho que nunca vou me acostumar ao eterno renascimento. certeza eu só tenho uma: quero mais vidas, muitas mais.

cometido pela Zel -

"pra levar uma vida melhor, preciso do meu amor aqui"

cometido pela arale -

auto-promoção gratuita










cometido pela arale -

essa é a primeira matéria decente sobre blogs que já li. é conteúdo exclusivo do uol, mas aquela senha pirata tá valendo, certo?

cometido pela arale -

deus & madalena entorpecida

eu consigo coisas que até deus duvida. estava eu, maria madalena, com deus no pufe de couro. papo vai, roupa vem, língua vai, suor, etc, etc, blabla, foi bom pra você? foi foi, respondo cansada, suada e molhada, e me recosto no pufe, couro escorregadio de calor senegalesco. depois de uma meia hora, me levanto e ouço: ruuuuááááááffffttttt! sentindo a morte da parte interna do braço direito, quase sovaco. procuro e vejo um enorme furo no pufe com um retângulo de cola em volta, sem o devido remendo. disfarcei a dor, sorri de viés, olhei discretamente pra deus sem querer admitir que tinha apanhado do pufe (e a dor maldita lá, me espezinhando). fui pra cama azeda, parecia uma queimadura, não consegui nada além de resmungar. no dia seguinte descobri o mistério: o veda-buraco-de-pufe era um EMPLASTRO SABIÁ gigante. os malucos colaram o courinho do meu braço (oops, do pufe) com emplastro, agora tenho um hematoma que parece um palavrão.

cometido pela arale -

 

segunda-feira, fevereiro 10, 2003

da série NÃO ser pop é:

=> ser cantada pelo fotógrafo e receber fotos de outra pessoa.

cometido pela ladybug -

eu choro toda vez que eu leio esse texto, zel...


cometido pela ladybug -

da série ser pop é:

=> ter um mendigo exclusivo pra gritar "muniiiique" quando você passa pela central de lotações no bronx.

cometido pela ladybug -

dedicado a você (versão pop, dessa vez com dedicatória pras duas meninas-curupiras que aqui escrevem)

não sofre mais não, sim? olha a estrada, tem flores aqui, é, essa branquinha de miolo amarelo que você tanto gosta. dá vontade de comer, não dá? é, dá. e aquele cachorrinho que lambe a mão da gente (e esquecemos de lavar pra almoçar, e não faz mal nenhum), ele tá ali também, olha! e tem aquele cara mais doce que primeiro beijo, que te sorri quando você menos espera e pega você no colo e diz "você é linda". tem também a rua que você vê todo dia e é bonita, cheia de árvores. ah, esqueci da casa que você mora, do sol que bate (incomodamente) na janela todo dia mas que no fundo você gosta, porque é mais um dia que chegou e você tá aqui, resmungando um bom dia quase bom. o guaraná que a gente pede e demora, o café que você detesta e as conversas intermináveis. os temas que se repetem (mas mudam, perceba que mudam sutilmente) e as alegrias continuadas, pequenas e grandes, que te fazem sorrir mesmo quando chove e não tem 2 reais pro ônibus. tem as festas e álcool e drogas e bobagens alucinógenas mais que qualquer química. tem as fofocas inócuas que fazem chorar de tanto rir, bolinhos fritos na hora e a gula interminável dos amigos. tem também o amor de longe, de perto, os telefonemas e as letrinhas e as visitas fora de hora ou na hora certa, luzes vermelhas e xampus cheirosos. e tem os inimigos em comum, aqueles do bonequinho de vodu, que matamos um pouquinho por dia de tanto espetar as agulhinhas na sola do pé *tic tic tic*

e tem uma amiga onipresente e doida, esperneando e chorando e reclamando e apelando e querendo morrer e querendo matar por você. ela às vezes chega com flores e às vezes com cactus, mas você sempre pega e olha com aquele olhar oblíquo de quem tudo sabe. ei, curupira, a vida te mandou um beijo, e eu vim dá-lo. smack.

cometido pela Zel -

Amor, então,
também, acaba?
Não, que eu saiba.
O que eu sei
é que se transforma
numa matéria-prima
que a vida se encarrega
de transformar em raiva.
Ou em rima.

Paulo Leminski

cometido pela ladybug -


(me apaixonei por essa foto, típica linda pra mandar pra pretê)


cometido pela arale -

paixão

há um ano estava apaixonada, há exatamente um ano fui pedida em casamento e me derretia de paixão e encantamento. como fui feliz, como sonhei, como fui apaixonada! jamais pensei que pudesse sentir tanto amor, tanta paixão, a vida era linda. sou movida a paixão. brinco que o conhecimento da dialética formalizou o modo como eu vivo, baseado em tese, antítese e síntese. e o que dá movimento a esse modelo? a paixão. é a paixão que nos impulsiona, ela é a mola da dialética. anseio por ela, sinto falta da paixão como motivadora, alavancando meus desejos, me fazendo andar, mudar, crescer.

por um curto período, quase acreditei que a paixão me fazia mal, que ela era a grande causadora dos meus males. bobagem. eu mesma é que me faço sofrer, quando me concentro no sofrimento e não no prazer, quando reduzo a minha enorme vida a uma pequena porção do que me compõe. minha vida não é um casamento, não é meu trabalho, não é minha família nem meus amigos e nem o tamanho da minha bunda. minha vida é tudo isso e mais um pouco, minha vida é um mosaico. cada pequeno pedaço tem seu papel, faz parte de uma obra cuja artista-autora sou eu mesma. eu decido as cores, a forma, a estrutura, eu conserto as pedrinhas quebradas, eu adiciono dourado e azul onde bem entendo. e também destruo pedras, crio buracos e deixo a obra abandonada, chorando porque uma pedrinha se descolou.

me separei, não há mais príncipe encantado, sonho de casamento e história com final feliz. no entanto, estou hoje absolutamente apaixonada. eu brilho, sorrio para as pessoas na rua, lembro de histórias e falo sem parar; quero ouvir as pessoas, quero comer e beber e viver, viajar, sentir prazer, trepar, beijar na boca, construir castelos, ajudar pessoas, ensiná-las a ser mais felizes, levar cor ao mundo, pois essa é a minha tarefa: levar amor, fazer o que está ao meu redor brilhar, trazer a felicidade até mim e distribuí-la.

estou, finalmente, com 30 anos, apaixonada por mim e pela vida. saúdo vocês todos através dessas letrinhas e convido quem quiser compartilhar da minha vida e da minha felicidade a chegar mais perto.

venha, venham (é a sereia chamando). tem amor e carinho pra quem quiser ser feliz e brilhar junto comigo :)

cometido pela Zel -

a menina que queria aparecer de atenas

desde menina remendava. o colchão sujo na cozinha, a porta da rua onde se lia: "puta". remendava as mentiras e tirava tarô pras velhas de unhas verdes. um dia aprendeu a costurar e, devagar, foi percebendo que isso poderia comprar pessoas. trocou tecidos e cortes por atenção, babados por amor, adornos por carinho. ficou popular na ilha, tinha bom coração e cobrava quase nada por seus préstimos. achava que o “amor” era mais do que suficiente pra suprir suas necessidades básicas. até que um dia, depois de tanto costurar, se sentiu sem forças e com frio. o frio da solidão, dos amores não conquistados, das esperanças não renovadas. e se viu nua. percebeu, tardiamente, que passara a vida toda costurando e amando, mas estava nua e só. e precisava recomeçar, reaprender a cortar os moldes no próprio corpo e costurar em si a segurança de que nada daquilo tinha sido em vão. e, nua, a menina de atenas começou de novo. ainda falta bastante, mas ela é forte e já fez sua colcha de retalhos.

cometido pela arale -

nunca dei pra faxineira. desde criança apanhava da mãe por não fazer os deveres domésticos de acordo. detestava arrumar a bagunça, limpar a sujeira que era nossa. até hoje reluto nessa mediocridade de limpar, arrumar, espanar, seja pra mim ou por qualquer um. e vou resolver isso no psiquiatra. não, não vou aprender a fazer faxina, mas a não me sentir a faxineira.

cometido pela arale -

recomendações

na sexta-feira fui assistir a um musical com o , depois de uma sessão de depilação-pé-mão altamente mulherzinha (que ele esperou com paciência de samurai). o musical foi de graça (bom), no teatro ruth escobar (médio), sem ar-condicionado (ruim, ruim). achei a peça longa demais (2h e tanto), mas a produção foi esforçada e eu me surpreendi com a história trágica do corcunda de notre dame, que na minha cabeça era aquele do desenho (com final feliz). mas foi interessante, valeu. e sair com o fê é sempre ótimo (muita atenção meninas, ele é o melhor partido da paróquia) :)

o corcunda de notre dame, teatro ruth escobar.

na seqüência (e o calor do inferno imperando) fui pra casa esperar o gui, alberto e teca pra irmos pro bailão. minha gente, disso eu preciso falar: o que é aquele lugar? muito, muito homem. novos, velhos, bonitos, bonitinhos (porque bicha nunca é feia, no mínimo é arrumada), completamente gay. música excelente, ambiente melhor ainda, alto astral, as bichas tirando a gente (mulheres) pra dançar, muita simpatia e gentileza, dançamos até o fim da madrugada e eu saí de lá absolutamente cansada e muito, muito feliz. estar com amigos e passar a noite dançando e sorrindo é um presente. obrigada, queridos!

o bailão é ali do lado do boi na brasa, na marquês de itu, às sextas-feiras. tem um (filho único de mãe solteira) banheiro feminino, e às 3 da manhã ele estava limpo e com papel, deu pra entender qual é a do local? música excelente, gente alto astral, cerveja gelada. pra caçar mulher é roubada; pra caçar homem (bofe) também. bom de dançar e de se arranjar, se for gay e bom principalmente de dançar em paz, sem homens chatos com cantadas bobas.

cometido pela Zel -

"O que eu faço hoje é importante porque estou trocando um dia da minha vida por isso."

Samuel F.Pugh

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domingo, fevereiro 09, 2003

"Espalhei meus sonhos aos seus pés. Caminhe devagar, pois você estará pisando neles."

W. B. Yeats

cometido pela arale -

essa noite tive um sonho lindo. andava de mãos dadas na rua, no sol de óculos escuros. ríamos e tínhamos orgulho do tempo e do contato, de termos encontrado um ao outro. livres, felizes e conscientes de que o amor é maior do que nós mesmos, iluminado, indisfarçável. e a intersecção dos nossos mundos me levou pra sala de jantar.

O Que Sobrou Do CéU
o rappa

Faltou luz mas era dia
O sol invadiu a sala
Fez da TV um espelho
Refletindo o que a gente esquecia
Faltou luz mas era dia, dia
Faltou luz mas era dia, dia, dia

O som das crianças
Brincando nas ruas
Como se fosse um quintal
A cerveja gelada na esquina
Como se espantasse o mal

O chá pra curar esta azia
O bom chá pra curar esta azia
Todas as ciências
De baixa tecnologia

Todas as cores escondidas
Nas nuvens da rotina
Pra gente ver
Por entre prédios e nós
Pra gente ver
O que sobrou do céu

cometido pela arale -

 
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